Os custos do tratamento de efluentes industriais ainda são frequentemente percebidos pelas indústrias como uma despesa inevitável, associada exclusivamente ao cumprimento da legislação ambiental. Essa visão, embora comum, não reflete a realidade técnica e econômica demonstrada por estudos consolidados em engenharia sanitária e ambiental¹².
A prática operacional e a literatura técnica mostram que o custo elevado do tratamento não está no ato de tratar o efluente em si, mas na ineficiência do projeto, da operação e da gestão do sistema de tratamento¹. Quando bem estruturado, o tratamento de efluentes pode reduzir custos operacionais, aumentar a previsibilidade do processo, viabilizar o reuso industrial e gerar impacto ambiental positivo de forma consistente.
O que realmente compõe os custos do tratamento de efluentes industriais
Para compreender como gerar valor, é fundamental entender a composição real dos custos envolvidos no tratamento de efluentes industriais.
De forma geral, os custos se dividem em:
- Custos operacionais (OPEX)
- Custos de capital (CAPEX)
- Custos indiretos e riscos associados²³
Na prática, os custos operacionais representam a maior parcela do gasto ao longo da vida útil de uma estação de tratamento¹².
Custos operacionais: onde estão os maiores impactos financeiros
Os custos operacionais do tratamento de efluentes industriais estão diretamente relacionados às decisões técnicas adotadas no dia a dia da operação.
Consumo de energia
Sistemas de aeração, bombeamento, flotação e desaguamento de lodo são intensivos em energia. Operações instáveis, variações bruscas de carga orgânica e equipamentos obsoletos elevam significativamente o consumo energético por metro cúbico tratado¹².
Insumos químicos
O uso excessivo de produtos químicos, muitas vezes como correção de falhas estruturais do processo, aumenta custos e gera maior produção de lodo, impactando diretamente a destinação final².
Geração e descarte de lodo
O lodo é um dos principais responsáveis pelo aumento do OPEX. Instabilidades operacionais elevam a produção de lodo biológico e físico-químico, ampliando custos de desaguamento, transporte e disposição ambientalmente adequada¹².
Mão de obra e monitoramento
Sistemas pouco controlados exigem mais intervenções corretivas, maior carga operacional e menor previsibilidade de custos².
Equalização e estabilidade: a base para redução de custos
A equalização adequada de vazão e carga orgânica é um dos fatores mais relevantes para a redução dos custos do tratamento de efluentes industriais¹.
A ausência ou o subdimensionamento de sistemas de equalização provoca:
- picos de carga orgânica no tratamento biológico
- instabilidade do lodo ativado
- aumento do consumo de energia
- maior geração de lodo
- perda de eficiência global do sistema¹
A literatura técnica demonstra que a equalização deve ser tratada como ferramenta de controle operacional, e não apenas como reservação¹².
Indicadores técnicos: por que o custo por m³ tratado é essencial
A análise fragmentada de custos é um dos principais erros de gestão em ETEs industriais. O indicador mais robusto para avaliação econômica é o custo global por metro cúbico de efluente tratado².
Esse indicador permite:
- comparar desempenho entre períodos operacionais
- avaliar impactos de ajustes técnicos
- identificar desperdícios ocultos
- embasar decisões de investimento²
Sem esse controle, o tratamento de efluentes permanece como um custo difuso e pouco gerenciável.
Reuso industrial: redução de custos e aumento de resiliência
Estudos técnicos demonstram que tecnologias avançadas, quando integradas ao tratamento biológico, podem viabilizar o reuso industrial de forma técnica e economicamente consistente¹³.
O reuso industrial contribui para:
- redução de custos com captação de água
- menor dependência de fontes externas
- aumento da segurança hídrica
- fortalecimento do desempenho ambiental da operação¹³
Sob a ótica do custo total específico, o reuso pode apresentar vantagens econômicas relevantes quando comparado ao descarte convencional.
Tratamento de efluentes como ativo estratégico
A engenharia demonstra que o tratamento de efluentes industriais não é custo inevitável, mas uma variável estratégica da operação¹²³.
Empresas que adotam uma abordagem integrada conseguem:
- reduzir custos operacionais recorrentes
- aumentar previsibilidade financeira
- mitigar riscos ambientais
- gerar impacto positivo mensurável
Os custos do tratamento de efluentes industriais não devem ser analisados apenas sob a ótica da obrigação legal. Quando bem projetado, operado e monitorado, o tratamento torna-se uma ferramenta de eficiência operacional, competitividade e sustentabilidade¹².
Na Okena, acreditamos que desempenho ambiental e desempenho econômico caminham juntos. O tratamento de efluentes, quando tratado com engenharia e estratégia, deixa de ser despesa e passa a ser valor para o negócio e para o meio ambiente.
Notas de rodapé – Referências técnicas
- GOUVEIA, Ricardo de. Otimização da operação e projeto de estações de tratamento de efluentes líquidos industriais por lodos ativados. Tese (Doutorado em Engenharia Química) – Escola Politécnica, Universidade de São Paulo, 2003.
- SIEGLE, Tiago. Otimização de custos operacionais de uma estação de tratamento de efluentes industriais de uma indústria de peças automotivas. Trabalho de Conclusão de Curso – Universidade Federal de Santa Catarina, 2013.
- PEREIRA, Eduardo Maksoud Torrecilha Borges. Estimativa de custos do tratamento de efluentes da indústria farmacêutica por osmose inversa. Monografia – Escola de Química, Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2021.
- GIORDANO, Gandhi. Tratamento e controle de efluentes industriais. Material técnico – UERJ.